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Últimos dias de Mundo Unifor tiveram Arnaldo Antunes e o psicanalista Contardo Caligaris

2017-10-20-arnaldo-antunes-internaSons, imagens, música e, claro, muita poesia. São essas as palavras que definem a performance do músico e poeta Arnaldo Antunes, realizada no penúltimo dia do Mundo Unifor 2017, a sexta-feira, e que lotou o Teatro Celina Queiroz. Com vídeos e imagens da artista plástica Márcia Xavier e participação ilustre de um de seus filhos, o poeta utilizou do jogo de palavras e de diversos artifícios para conquistar seu público até o âmago.

 

Antunes brincou com fonemas, abusou com excelência do vocabulário e utilizou de diversos outros recursos para imergir todos presentes em sua performance, desde sons que lembravam a batida do coração, luzes, objetos simbólicos, eco até o próprio silêncio. Sussurrou, gritou, rimou, cantou e ecoou, a fim de dialogar com o público e consigo mesmo, o que tornou possível a absorção das filosofias e saberes no que diz respeito ao seu entendimento de mundo a partir das poesias recitadas, já conhecidas por seus fãs. “Eu tenho uma coleção de esquecimentos e apenas duas mãos para ver o mundo”, declarou, em referência de seu livro “Agora Aqui Ninguém Precisa de Si”, primeira frase recitada na apresentação.

 

Com reflexões sobre o “eu” interior, Antunes recitou alguns de seus escritos conhecidos, entre eles, “eu todo mundo”, que arrancou palmas imediatas: “Eu não queria que todo mundo pensasse que eu era o que eu não sabia que todo mundo queria que eu pensasse que todo mundo sabia que eu era eu não sabia que eu queria era que todo mundo pensasse que eu era todo mundo”.

 

Sempre intenso, Antunes abordou temas como mar, tempo, corpo e identidade com maestria e abundância em sentido. “O corpo existe, dado que exala cheiro. E em cada extremidade existe um dedo. O corpo se cortado espirra um líquido vermelho. O corpo tem alguém como recheio”, citou, como referência ao poema “Momento VIII”.

 

Outro destaque foi quando o artista convidou seu filho, residente de Fortaleza, para ajudá-lo em uma das poesias. Brás Antunes recitou junto ao pai “Lembrança Vó”, com musicalidade e demonstrou versão em dupla da poesia. “Que lembrança vã, que lembrança vó”, narraram, em uníssono.

 

Por fim e a título de conclusão, o poeta realizou a performance mais aplaudida por seu público, a qual colocou diversos cartazes com as palavras “Totem” e “Tabu” - em referência ao livro “Totem e Tabu” (1913), de Freud - dentro de sua camisa, a fim de demonstrar diversas críticas abertas à interpretação, agradeceu à Unifor e ao público presente e saiu do palco ao som de aplausos de pé.

 

Calligaris fala de família, mal-estar, repressão, felicidade e redes sociais

 

2017-10-21-calligaris-internaO último dia do Mundo Unifor 2017 foi marcado pela presença do professor e psicanalista Contardo Caligaris, lotando o Teatro Celina Queiroz no sábado (21), no encerramento da programação do megaevento, que teve início em 16 de outubro. A palestra teve mediação de Marselle Fernandes, professora do curso de Psicologia da Unifor, e abordou temas contemporâneos sobre o mal-estar e a repressão do ser humano na contemporaneidade.

 

Para contextualizar a situação de forma amena, o palestrante, que é membro da Escola Freudiana de Paris, introduziu os temas gradualmente por meio de música, depoimentos pessoais, conceitos de filmes e referências de autores relacionados à psicologia, como Goethe, Focault e Freud.

 

O professor trabalhou diversas ideias e conceitos durante a palestra, que incluiu a concepção de família - definida como grande causadora do “mal-estar” na imagem freudiana, e como “instrumento de reprodução social”, por Calligaris, de repressão, do subjetivismo por trás dos desejos carnais e do “outro”. “Colocamos no ‘outro’ nossos ideais na esperança de sermos amados por nós mesmos”, declarou.

 

A intervenção do Estado em alguns assuntos relacionados à criação foi uma das críticas feitas pelo autor. “Não reconheço o poder moral do Estado para escolher o que eu posso mostrar ao meu filho, até porque o Estado anda obsceno por si só”, ressaltou. Caligaris também criticou que a idealização exagerada da infância se define como “investimento” realizado pelos pais para que seus filhos deem continuidade ao que eles não conseguiram terminar.

 

O professor declarou que o “recalcamento” - definido como a repressão do ser humano - é ato de controle e grande causador de diversos atos de violência, e não é solução para manter a harmonia em sociedade, por não “curar” o indivíduo, mas sim adiar os resultados negativos. O palestrante destacou que este controle exagerado não só fere os direitos do ser humano, mas “é capaz de erguer um ‘leviatã’, um monstro, que irá devorar a todos”.

 

Em resposta às perguntas, Calligaris dissertou sobre a caracterizada “busca pela felicidade” e explicou que, enquanto o foco for exibir a “felicidade” a qualquer custo nas redes sociais, não haverá como alcançar, de fato, a verdadeira satisfação. “O fato que a felicidade seja tão importante hoje é porque vivemos um tempo de pouco entusiasmo”, reflete.

 

 

 
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