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Sociólogo Sérgio Abranches e filósofa Marcia Tiburi trazem reflexões no quarto dia de Mundo Unifor

2017-10-19-sergio-abranches-internaA fim de trazer pontos de vista sobre diversas áreas do conhecimento, a edição de 2017 do Mundo Unifor trouxe como convidado, nesta quinta-feira (19), o sociólogo Sérgio Abranches, comentarista de ecopolítica na rádio CBN, autor da obra “A era do imprevisto” (2017) e ganhador do Prêmio Chico Mendes por seu trabalho jornalístico e ambiental.

 

A palestra ocorreu no Teatro Celina Queiroz e contou com reflexões sobre o futuro mediante as mudanças causadas principalmente pelas plataformas digitais e a importância da democracia participativa.

 

O sociólogo fez diversas previsões sobre o equilíbrio que poderia ser alcançado caso houvesse  menos preocupações com o “momento”, mas sim com o futuro - classificado como o resultado das escolhas tomadas no presente e no passado, que possui influências diretas na prática da democracia participativa. “Se não pensarmos no futuro, ele se torna aleatório. E se não formos ativos nesse pensamento, ele [o futuro] será feito por outros. E não necessariamente será um resultado ideal”, explica.

 

Com destaque para a efemeridade dos tempos atuais, Abranches constatou que as mudanças são não só inevitáveis, como necessárias, bem como a “mutação social”, definida como nova interação que possui a capacidade de gerar bons resultados. “É difícil convencer as pessoas a mudar, mas é isto que devemos fazer, pois nenhum de nós vai morrer no mesmo mundo em que nasceu. Nós estamos em grande transformação, nas estruturas sociais, nas tecnologias… E há interação necessária entre áreas, como a junção da tecnologia e da ciência”, declara.

 

A fim também de definir aspectos positivos e negativos sobre as plataformas digitais, principal transformação em pauta, o convidado explicou que essa mudança permite possibilidades de relação antes impossíveis. Entretanto, essa “ciberesfera” também pode diminuir a diversidade - identificada como “patrimônio” importante para o fortalecimento da democracia em si -, e, consequentemente, aumentar adversidades atuais, entre eles, a tirania. “Estamos em dilema entre a tirania e a liberdade. Não há tirania pior para uns, mas sim ruim a todos”, ressalta.

 

Abranches trouxe também diversos outros assuntos contemporâneos para a discussão, como imigração, previsões socioeconômicas e desemprego, a fim de destacar principalmente a possibilidade do pensamento como agente transformador, caso feito em conjunto. “Podemos romper, mudar e revolucionar de forma criativa. Não precisamos ser prisioneiros do passado nem do momento, mas sim transformadores do futuro. Se quisermos progredir, devemos começar a pensar com coletividade”, destacou.

 

Marcia Tiburi leva questões filosóficas ao Mundo Unifor

 

2017-10-19-marcia-tiburi-internaÀ noite, o palco principal do Mundo Unifor foi marcado pela presença de uma das figuras femininas mais comentadas no Brasil na atualidade, Marcia Tiburi. A artista plástica, filósofa, escritora, professora de Filosofia e colunista da revista Cult veio a Fortaleza debater a atual situação do país a partir do seu livro “Como Conversar com um fascista - Reflexões sobre o Cotidiano Autoritário Brasileiro”, lançado em 2015. A palestra teve mediação da professora Katherine Mihaliuc, diretora do Centro de Ciências Jurídicas da Unifor, e reuniu cerca de 1.000 pessoas na Praça Central da Universidade, entre alunos e professores e visitantes.

 

Com início às 19h, Tiburi mostrou porque foi tão solicitada pelos presentes para estar no Mundo Unifor 2017, ao falar que tem orgulho de ser professora, e sobretudo professora de Filosofia. Animou os professores e alunos presentes que enxergaram, a partir das reflexões levantadas pela escritora, como é precioso estar em um ambiente acadêmico e ter a chance de discutir questões importantes para o país.

 

A escritora destacou o uso e conceito da ética no nosso dia a dia, aliada a educação de qualidade e a pensamentos filosóficos. “Ética começa com a nossa reflexão, só conseguimos chegar até ela quando pensamos a respeito”. O fascista do livro de Tiburi é o Outro, aquele que não pensa igual à escritora, que para ela cada vez mais tende a ganhar voz na mídia com discursos de ódio e preconceito: “preconceito é uma comparação com os outros que nos fazem julgar o outro como inferior ou superior”.

 

Com lucidez, Tiburi destacou o conceito difuso de política na atualidade, sobretudo no Brasil. Para ela, o conceito de política virou espécie de senso comum: “o que o transformou em um trabalho, ou profissão, quase algo profissional, e não mais de interesse puramente público”. Ainda segundo a autora, a política no Brasil está indigna porque lhe foi atribuído um preço, uma vez que existem acordos e negociatas sendo feitos corriqueiramente.

 

Ao fim da palestra, ela levantou reflexões sobre o uso da tecnologia no nosso dia a dia. Ao falar dos perfis expostos nas redes sociais a palestrante perguntou à plateia: “qual a imagem que nós queremos construir a partir das redes sociais?”. A pergunta foi feita porque, segundo a autora, vivemos uma contradição com pessoas e perfis felizes nas redes sociais, enquanto na população brasileira aumenta o números de depressão e de suicídios. Tiburi encerrou sua fala destacando que a grande moeda por trás das redes sociais é a felicidade. “As pessoas fingem estar felizes o tempo todo”.

 
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