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Arquiteto de sistemas Jacson Fressatto, Sarau da professora e médica Paola Torres e o empresário de moda André Carvalhal participam do 3º dia

2017-10-18-Jacson-Fressatto-internaA tarde da quarta-feira (18) do Mundo Unifor foi marcada pela palestra do arquiteto de sistemas Jacson Fressatto, que subiu ao palco do Teatro Celina Queiroz para falar para alunos, professores e profissionais da área de tecnologia sobre Laura, o 1º robô com inteligência artificial gerenciador de riscos do mundo. A palestra teve a mediação do professor Átila Girão, coordenador pedagógico do curso de Engenharia de Controle e Automação da Universidade de Fortaleza e fez parte da programação do Mundo Unifor 2017.

 

Com a platéia atenta e ansiosa para ouvir a história de Laura, Fressatto, que faz parte do seleto grupo de pessoas que usam o sofrimento e luto como força motriz para transformar e ajudar a vida de milhares de seres humanos, explicou com leveza e humor os motivos que estiveram por trás do seu processo de criação, bem como os próximos passos do sonho de Laura.

 

O robô foi batizado com esse nome para homenagear Laura, filha de Fressatto que morreu em 2010 com apenas 18 dias de vida, diagnosticada com sepse, infecção silenciosa que tira a vida de milhares de pessoas em todo o mundo diariamente. Após o luto, o arquiteto de sistemas passou nove meses trabalhando voluntariamente em hospital de Curitiba, a fim de descobrir os culpados pela morte de sua filha. “Venho da área de investigação corporativa, então entender quem eram os culpados não foi difícil”, enfatiza.

 

Levou quatro anos para desenvolver o sistema, que custou quase 1 milhão de reais, valor dividido entre ele e um investidor-anjo, geralmente uma pessoa física que faz investimentos com seu próprio capital em empresas nascentes com um alto potencial de crescimento, como as startups. Sua parte nesse montante foi obtida a partir da venda de bens pessoais, o que causou desconfiança em sua família, por não entenderem a obsessão pelo assunto. “Eu senti um chamado espiritual de que deveria fazer o possível para ajudar as pessoas a vencer essa doença. Lembrei de um ditado que diz que sua caridade não é doar metade do que você tem, mas sim doar metade da sua respiração”.

 

O robô é um computador que utiliza tecnologia cognitiva. O que significa que o software consegue aprender, analisar e até conversar com áreas operacionais, a fim de acessar todas as máquinas do hospital, inclusive máquinas laboratoriais, e colher dados dos pacientes armazenados nesse sistema, e isolar dados inconsistentes, dados faltosos, e aqueles que evidenciam que o paciente está em sepse. Após a confirmação, o sistema ativa funcionalidade chamada de “ansiedade de Laura”, que envia alerta para telas do hospital e avisa que aquele paciente precisa de atenção. Caso demorem a ajudá-lo, Laura envia mensagens para os celulares da equipe. O diagnóstico é dado em 3.28 segundos. Segundo Fressatto o sistema do hospital demora para processar o mesmo volume de dados entre 8 a 10 horas.

 

Fressatto também ressaltou que os alertas podem ser emitidos a partir de mudanças na temperatura corporal do paciente ou de alterações sanguíneas, o que contribui positivamente para o diagnóstico e tratamento de sepse, que atualmente atinge 2,5 milhões de brasileiros por ano. Desse total, cerca de 250 mil pessoas acabam por ir a óbito. “Com o robô Laura a expectativa é que seja possível salvar 12 mil vidas ao ano no Brasil, reduzindo em 5% o índice de óbitos”, destaca.

 

Mas o robô não se limita a ajudar somente na prevenção e cura da sepse, podendo também atuar na indústria, e avisar quando uma máquina está propensa a dar algum problema ou a quebrar. Também atua em outras áreas da saúde, como é o caso dos pacientes com pressão arterial, enviando alertas de quando aquele paciente precisa de uma atenção especial por parte dos médicos. A expectativa é que ainda em 2017 Laura comece a atuar na indústria e em diversas áreas da saúde.

 

Para Leonardo Braga, aluno do 4º semestre de Engenharia da Computação, a criação de Laura ressalta o caráter humanitário da tecnologia: “Laura abriu minha mente e me influenciou a não ser mais tão preso ao mundo da tecnologia e das máquinas, sem enxergar como podemos ter grande influência fora desse nosso meio, assim como o Fressatto fez na área da saúde, ajudando as pessoas”. A palestra gerou reflexão de como o uso da tecnologia pode ser usado para salvar vidas. Segundo o professor Átila Girão, essa discussão é essencial no ambiente acadêmico. “Nossa meta é formar pessoas que tenham a técnica, mas que também tenham ética e que venham a contribuir com a sociedade”, conclui.

 

Medicina, cordel e cantoria

 

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No fim da tarde, o Mundo Unifor abriu espaço em sua programação para um final de tarde de muita música, poesia e… Medicina! A professora Paola Torres, do curso de Medicina da Unifor, mostrou aos alunos um viés cordelista que o curso pode ter no repasse de conhecimento para seus alunos. Na apresentação artístico-musical “Medicina, Cordel e Cantoria”, Paola logo conquistou a atenção do público presente à Praça Central do campus da Universidade.

 

Com início às 17h, Paola Torres cantou versos de músicas como “Rosa Fulô” e “Vento da Serra”, além da música “Medicina, Cordel e Cantoria”, que marcou o início da apresentação. Paola subiu ao palco para mostrar, por meio do cordel, um pouco da sua infância e o dia-a-dia das pessoas do campo, das dificuldades e doenças do povo do sertão, mas sem deixar de exaltar as riquezas naturais tão exuberantes no Nordeste brasileiro.

 

Um momento que chamou a atenção dos presentes foi quando a médica e professora convidou o público para formar uma roda e fazer ciranda, tipo de dança e música de Pernambuco, originada na Ilha de Itamaracá, por meio das mulheres de pescadores que cantavam e dançavam esperando os maridos chegarem do mar. A ciranda é caracterizada pela formação de uma grande roda, onde os integrantes dançam ao som de ritmo lento e repetido.

 

Paola Torres conta que o cordel sempre esteve enraizado em sua história, pois nasceu no interior de Pernambuco, cresceu no meio da cultura cordelista e das cirandas na beira do mar. Estudou medicina na Universidade de Pernambuco, mas decidiu unir profissão à sua história de vida. “A medicina tem uma linguagem muito técnica e o cordel tem uma linguagem mais romântica e engraçada, então eu acho que é uma linguagem que as pessoas entendem e é a minha necessidade juntar cordel e medicina para tornar a profissão mais compreensível para as pessoas”, explica a professora.

 

André Carvalhal defende moda sustentável

 

2017-10-18-andre-carvalhal-internaO Mundo Unifor 2017 recebeu como convidado o empresário de moda André Carvalhal, ex-gerente de Marketing da Farm, co-fundador da plataforma Malha, rede colaborativa de moda, e diretor criativo da marca Ahlma. A palestra aconteceu nesta quarta-feira (18), reuniu cerca de 650 pessoas na Praça Central da Universidade e contou com a mediação da professora Priscila Medeiros, do corpo docente do curso de Design de Moda Unifor, bem como desfile organizado por alunos e professores da graduação.

 

Com palestra intimista e com foco na sustentabilidade, Carvalhal destacou os impactos sociais, culturais e ambientais da moda, como a produção e o descarte acelerado das peças de roupa e em como a falta de representatividade da indústria pode ter efeitos negativos em relação às pessoas que não se encaixam no antigo “padrão”. “Além da venda, o profissional da moda tem papel em tentar reverter algo que esteja acontecendo de errado no mundo. Isso que eu chamo de ‘moda com propósito'. Só vamos chegar em um caminho novo se nos livrarmos desses padrões”, conclui.

 

Para o convidado, todas as pessoas devem ser classificadas como “co-criadoras do mundo”, por possuírem papel relevante na construção e nas transformações do planeta, principalmente no que se refere à indústria da moda, com destaque para o amadurecimento do consumidor.

 

O palestrante também compartilhou com o público experiências e filosofias sobre seu trajeto na área de marketing e moda e explicou sobre o processo de criação dos livros “A Moda imita a vida” (2014) e “Moda com Propósito” (2016). “Nas aulas que dava, pedia para as pessoas fazerem perguntas. (...) Identifiquei que os questionamentos se repetiam, então percebi que perderia grande oportunidade se não fizesse um livro a partir daí”, explica.

 

Em resposta às perguntas do público, Carvalhal também deu dicas e conselhos de como pequenos símbolos e ações de baixo custo podem se tornar grandes estratégias de marketing, fator decisivo na criação do conceito de qualquer marca. “O marketing tem papel importante para comunicar o valor de qualquer produto de moda e do porquê da marcar merecer espaço”, ressaltou.

 

Carvalhal foi recebido na Unifor com desfile organizado pelos alunos e professores do curso de Design de Moda, que foi elogiado pelo palestrante por carregar conceitos de representatividade e sustentabilidade, assuntos frequentes na palestra e no bate-papo com o público. O convidado também foi surpreendido pela decoração do palco, que constava com as roupas ganhadoras do Dragão Fashion Brasil, com as coleções “Soul Frida en Viva Los Muertos”, inspirada na artista plástica mexicana Frida Khalo e vencedora do primeiro lugar do concurso de 2016, e “Suelo Secreto”, coleção que possui o Peru como inspiração e conquistou segundo lugar em 2017.

 

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